sábado, 8 de agosto de 2015

Agridoce - Capítulo 6






Até que comandar esta dinâmica não foi nenhum sacrifício. Eu sabia que os participantes tinham aproveitado o momento para se promoverem e, é claro que eu entrei nesta onda. Afinal, ajudaria bastante a melhorar a minha imagem e consequentemente garantia o meu emprego. De fato, para trabalhar ali teríamos que nos tornar um produto. E assim como essa dinâmica, fazer  um anúncio bom o suficiente para que todos acreditassem que tínhamos uma vida "perfeita". 

Hora de finalizar.

- Muito bem, essa dinâmica foi importante para que tivéssemos uma breve oportunidade de nos conhecermos melhor. Foi interessante ver que nem todos são o que aparentam, o que mostram ser. - eu disse no centro do círculo.

- Se me permite a palavra Patrícia, gostaria de acrescentar que nós somos uma revista - Matheus levantou de sua cadeira e veio em minha direção - Cada integrante tem uma personalidade diferente e consequentemente uma forma de trabalho própria e única. A revista People's é a junção de tudo isso. Conhecer cada integrante desse projeto é também conhecer uma parte da nossa revista.

Ficamos extasiados com essas palavras. 

De pé, todos nós aplaudimos satisfeitos afinal, não é qualquer que tem esse dom de falar tão bem.

Pedi para eles me ajudarem a organizar as cadeiras da maneira que estava e, assim fizeram. Tínhamos um dia de trabalho pela frente, por isso a ajuda de todos era necessária. 

Larissa veio sorrindo em minha direção.

- Patrícia, adorei a dinâmica.

- Ah, obrigada - sorri com cortesia.

- É sério, você é bem diferente do que os outros falam - ela tocou o meu ombro.

Afastei sua mão sutilmente, não era pra tanto.

- As pessoas falam demais, se fui grossa com alguém com certeza deve ter merecido.

Ela caiu em gargalhadas. Fiquei meio sem graça, estava falando sério.

- De qualquer forma, adoro pessoas que falam a verdade na cara sem ter medo.

- Não me diga?

- Sim, é verdade. Vou fazer uma social lá no meu apê. Me passa o seu whatsapp, para eu te mandar o meu endereço.

- Desculpe, isso é um convite?

- Claro que é! Você vai né Matheus? - nem, tinha me dado conta de que ele ainda estava do meu lado.

- Nossa, assim em cima da hora. - ele soltou um sorriso carismático - Não garanto nada.

- Nem eu Adriana. Como o Matheus disse, é meio em cima da hora.

- De qualquer forma, vou ficar com os contatos de vocês. - ela insistiu tanto que acabamos trocando os números de telefone, feito isso nos despedimos e ela foi para a sua sala.



Nunca dediquei muito tempo ao whatsapp nem, facebook e nenhuma outra coisa do tipo. Apenas utilizava como outra alternativa de comunicação e para facilitar o trabalho. Não entendo como as pessoas perdiam tanto tempo com isso.


- Preciso te agradecer pela a ajuda - falei para o Matheus, sorrindo.

- Que isso, você foi ótima. Não fiz mais que minha obrigação, afinal estamos no mesmo barco.

- Mesmo assim, eu agradeço - estendi mão.

Ele aceitou meu gesto.

- Disponha. Eu ouvi falar muito sobre você Patrícia.

Olhei para o lado. Já imaginava o que deveria ser.

- Mal, como sempre. Estou acostumada.

- Na verdade, o que eu ouvi foi elogios.

- Sério? - tornei a olhá-lo, espantada.

- Claro. Gostaria muito de conhecer o seu trabalho, sua rotina. Poderíamos conversar, com mais tempo é claro.

Opa, sabia onde ele queria chegar.

- Escuta aqui. Se você acha que vou sair contigo só porque você me ajudou aqui, está muito enganado! - falei em um tom mais alto.

- Mas quem disse que eu ia convidar você para sair?! - ele mudou sua expressão, dessa vez sério. Mas manteve o seu tom - Francamente, Patrícia. 

Saiu da sala a passos duros, por sorte, tinha poucas pessoas ali. Que gafe! 

Depois do ocorrido o dia transcorreu bem. Procurei Hugo em sua sala, mas ele não estava. Queria ao menos saber o que eles disseram para ele. Porque notícias correm e deveria ter chegado em seus ouvidos. Mas não adiantava ficar imaginando coisas, melhor ir pra casa afinal não era sempre que as coisas davam certo.

Precisava comemorar. 

Cheguei em meu apartamento, abracei meu querido Bobby e tomei um delicioso banho. Liguei um som do Cazuza, e fui pegar na geladeira duas fatias de salmão.

Passei o salmão no azeite. Coloquei a frigideira untada com manteiga para esquentar no fogo alto. Depois de alguns minutos joguei o peixe nela. Acrescentei aos poucos alcaparra, sal e pimenta. Meu interfone tocou.

Deixei fritando e corri para atendê-lo.

- Alô?

- Boa Noite, só para avisar que sua mãe está subindo.

- O quê?! Eu não deixei ela subir!!

- Pensei que não tivesse problema, é a sua mãe.

- Mas que droga! - gritei com ódio.

- Desculpe, eu não...

Na verdade, ela era o meu maior problema.

Ouvi batidas na porta. O que ela queria?

- Abra Patrícia! Sei que está aí - ela gritava.

Fui obrigada a abrir, não queria escândalo. 

- Eu poderia ter ligado para avisar que vinha, mas pelo visto deve ter trocado de número - ela me disse em tom de ironia.

- Sim, eu troquei. O fato de você não ter o meu número quer dizer que eu não quero te atender.



Primeiro Capítulo
Segundo Capítulo
Terceiro Capítulo
Quarto Capítulo
Quinto Capítulo
[Continua..]

4 comentários:

  1. Está ficando cada vez mais emocionante. Gosto da Patrícia por dois motivos: (1) sinto o mesmo que ela em relação à burrice das pessoas; (2) ela diz o que pensa, com toda a clareza, na mesma hora que o fato acontece (coisa que invejo porque não sou capaz). Mas percebo que viver assim, em estado de alerta constante, deve ser resultado de um trauma. Já deu pra perceber que a mãe dela tem muito a ver com isso. Só espero que o salmão não queime. Seria uma pena. ;)

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    1. Realmente, é admirável as pessoas que tem coragem de falar o que pensam na lata, mas em breve você vai entender porque ela é assim. Fico feliz que esteja gostando :)
      Olha o salmão não garanto não viu kkk

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  2. Estou adorando! Ler seus textos até me dá vontade de escrever. Pena que vou ter que esperar para saber o que acontece depois.

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    1. Escreva sim e não deixe de me mostrar :P. Culpa desse escritor aqui que enrola para publicar ne kkk

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