A Maternidade que Reside em Nós




Já falamos aqui no blog sobre gestos de gentileza, falamos também sobre como a essência feminina do cuidar e do nutrir pode nos ajudar a ser mais humanos (deixarei os links no final do artigo).

O mês das mães nos convida a revisitar nossa infância, afinal foi onde recebemos o nosso primeiro cuidado, dentro do útero.

A intenção aqui não é romantizar o assunto e dizer que a maternidade é perfeita e imaculada.



Talvez, o único gesto bom para você que a sua genitora fez foi ter te concedido vida. Eu sinto muito por isso. Penso que todos deveriam receber amor logo nos primeiros momentos de existência. Pode ser que esta dor tenha tornado a sua vida sem muito sentido, ou você tenha tido que desenvolver um fortalecimento extra.


A história da minha mãe é uma grande inspiração de amor para mim. Após o falecimento da minha avó biológica tão precoce, ela foi acolhida por um casal de idosos (meus avós do coração) que ofereceram muito amor. A partir deste amor, ela ajudou muitas pessoas e espalhou muito carinho onde viveu. Houve falhas, como qualquer mãe tem, no entanto, não suficientes para que sua partida não fosse sentida em seu velório.



A maternidade é um assunto sensível e emocionante. Talvez essas palavras não façam sentido para você e está tudo bem. O que eu gostaria é que independente de qual gênero você seja, se motivasse a desenvolver a sua maternidade interior.


Talvez, seja com um parente, amigo, vizinho ou até mesmo um desconhecido. A maternidade está escondida em pequenos gestos de cuidado que distribuímos ao longo do dia. A realidade é inegociável, mas quando se trata em questão de amor, sempre há uma oportunidade para exercitá-lo.


Se a sua mãe está viva, eu sugiro que exercite com ela. Acredite, ela nunca deixou de ser criança, tampouco de ter problemas. Talvez, não tenha dado nem tempo de ela ter curado seus traumas para cuidar de você. Assim, como possivelmente não estaremos totalmente curados para ser gentil com alguém.



Muito além de presentes, demonstrações de afeto, presença e validação dos sentimentos é algo que elas sempre irão precisar. Arrisco dizer inclusive que elas nunca deixaram de ser crianças.


Como eu disse, eu não tenho a minha mais presente fisicamente. Dessa forma, recomendo que você passe adiante algum ato de cuidado que ela transmitiu a você, com discernimento, claro, nem todo mundo merece o nosso melhor. Mas o simples fato de não se render à apatia generalizada e a falta de humanidade que vivemos em meio à crises já aquecerá o seu coração. 

Se você sente que não irá o prejudicar ou prejudicará a ninguém siga este conselho:




“Na dúvida, copie sua mãe.”





Por fim, pode ser que você não tenha aprendido a cuidar por ter sido cuidado mas não se julgue incapaz. Da mesma forma que o preconceito e a violência são aprendidos, nós podemos aprender a amar todos os dias. É um aprendizado constante e imperfeito. Eu acredito que a persistência e dedicação são fatores que nos sustentam ao longo do processo. Não é uma fórmula mágica mas em meio a conflitos ajuda a vida a ficar mais leve.


Assim, desejo Feliz Maternidade  a todos nós.






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