Sobre quem é especialista em cuidar da própria filha
Todos os anos lidamos com questões importantes que nos forçam a nos adaptar e desenvolver resiliência para lidar com desafios. Sabemos que o mesmo mundo que oferece mais possibilidades, também é o mundo que cobra mais eficiência em todas as áreas.
No meio desta corrida desenfreada para construir sentido para vida, garantir o sustento e preservar a própria identidade, muitos se esquecem da existência de pessoas que não acompanham o ritmo de todo mundo. Eu estou falando precisamente das pessoas que têm diferentes graus de deficiência.
Nunca se falou tanto sobre a inclusão e a acessibilidade da pessoa com deficiência. Mas e a sua dignidade?
Será que realmente estamos ouvindo ou sentindo o que eles têm a nos dizer?
Veja o que Scott Lentine disse em "Can't you see?"
O próprio título já é provocativo, "Você é capaz de ver?"
"Can’t you see
I just want to have a friend
Can’t you see
I need the same connections in the end"
"Eu apenas quero ter um amigo
Eu preciso das mesmas conexões no final"
Neste trecho, ele destacou que como qualquer ser humano, ele precisa de construir laços. Em tempos, de dessensibilização crônica é muito fácil cairmos em automatismos os tratando como "objeto de campanha" ou "mascotes de causa", mas toda pessoa quer construir vínculos reais e esta necessidade é universal.
"Can’t you see
I want a good job
Can’t you see
I need to have stability and [...] be part of the general mob"
"Eu quero ter um bom emprego
Eu preciso de estabilidade e [...] e ser parte da multidão"
Outra necessidade universal é a de contribuir para o mercado de trabalho de forma verdadeira. Muito mais que um emprego, ele é claro em dizer "um bom emprego". Ou seja, não apenas cumprir as cotas para o preenchimento de determinadas vagas, mas ter toda a sua potencialidade reconhecida.
"Can’t you see
I want to be independent on my own
Can’t you see
I want to be able to have my own home"
"Eu quero ser independente por conta própria
Eu quero ser capaz de ter o meu próprio lar"
Percebe que muitas necessidades são as mesmas do restante da população mundial? Viver de forma digna e autêntica, livre de perseguições e julgamentos é algo essencial para se ter uma vida plena. Não ser infantilizado, muito menos tratado como um estorvo. É ter o seu lugar para se refugiar e ser autêntico.
"Can’t you see
I want the same things as everyone else
Can’t you see
I want to be appreciated for myself"
No final, de forma precisa e simples ele destaca:
" Eu quero as mesmas coisas
que outra pessoa qualquer"
e
"Eu quero ser apreciado por quem eu sou"
Por trás desta jornada tem os esforços e a dedicação de sua mãe, Maryanne Lentine. Ele recebeu apoio de familiares e passou por excelentes profissionais, porém ela foi a base para a realização de todas essas conquistas.
Mesmo recebendo apoio de muitas pessoas, as mães, em grande maioria são as que mais entendem a forma como o próprio filho se expressa. Em vários momentos, eram tidas com guerreiras e tiveram suas lutas romantizadas. É uma jornada exaustiva onde são as que mais se forçam em oferecer o melhor para que eles possam desenvolver os seus talentos.
Inspirados pelas palavras de quem também cria a filha para contribuir, as próximas postagens serão relatos de Monica Cadorin.
Ela é amiga de longa data do projeto e grupo Apolologia das Letras. Aceitou com todo o carinho responder as minhas perguntas sobre os desafios da maternidade atípica.
Aqui no Coisas Triviais, Monica dará conselhos pautados em sua vivência, falará como lida com situações desafiadoras e tudo que já conseguiu superar em sua caminhada. Será inspiração para todo tipo mãe, para quem exerce esse papel e também para quem tem disposição para conhecer outras vivências.
No próximo post, a Escritora, Historiadora da Arte, Professora, Esposa, entre outros talentos, comentará como se tornou especialista em cuidar da sua filha, Maria Clara.
Mas antes, vamos conhecer um pouco do seu trabalho no Apologia das Letras, através destes vídeos?
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