A Paternidade que reside em nós
Falamos muito sobre a necessidade de sermos mais gentis e de praticar o cuidado mútuo. Sobre superar a apatia generalizada e resgatar a essência do cuidar. Assim como a vida nos pede sensibilidade, ela também nos pede ação.
O mês dos pais nos convida a lidar com a nossa essência do desbravar a vida. É uma realidade que não podemos romantizar pois nenhuma paternidade vem com manual de instruções.
Muitas mães têm essa função extra que é desenvolvida pelas circunstâncias da vida. Muitas pessoas buscam referências externas pelo simples fato de não terem tido uma presença paterna, talvez, o único gesto bom que ele fez para você foi ter participado da sua existência. Assim, ao longo da vida outros pais foram ocupando lugar dele.
Meu pai sempre foi um exemplo de como enxergar o “copo meio cheio”. Um homem que viveu muitos altos e baixos. Aprendeu a se reinventar com bravura várias vezes após muitas adversidades. Sempre se orgulhou de suas conquistas e procurava à sua maneira nos preparar para viver neste mundo desafiador. Não foi perfeito, mas foi possível e real.
Com as ilusões dessa época como: filtros de redes sociais, ostentações, promessas mirabolantes de como fazer dinheiro rápido e felicidade momentânea torna-se cada vez mais difícil criar jovens com os pés no chão, já que adultos também estão suscetíveis a golpes e a cair em fascinações.
Talvez a maior lição dos tempos atuais seja ensinar a nova geração a desbravar sem passar por cima dos outros. É ter a disposição de brilhar, mostrar o seu talento reconhecendo que o outro também tem o direito de conquistar o seu espaço independente das diferenças culturais.
Vejo que existe uma grande dificuldade para fortalecer os filhos com amor. Em expor os filhos a riscos aos poucos sem traumatizá-los. Cada realidade e cada arranjo familiar é único. Vivemos uma época onde a busca por conhecimento é mais livre e esse processo ainda precisa ser assistido pelos mais experientes pois com a multiplicidade de opções a dificuldade de escolha de caminhos gera ansiedade.
Trabalhar, atualizar e resistir a processos ainda são características necessárias em meio a tantas cobranças sociais e imediatismos externos.
É importante reconhecer que a sociedade ainda é como uma selva e no meio dela é difícil não perder o discernimento para não cair em armadilhas. Tampouco não nos tornar excessivamente vorazes a ponto de nos transformar em caçadores insanos e enxergar tudo e a todos como inimigos.
Nossos pais nunca deixaram de ser moleques sonhadores que lutavam para manter a pipa no ar. Ou aqueles que queriam zerar seu jogo favorito em tempo recorde.
Independente da brincadeira que os divertia, meu pai, mostrou que apesar de o jogo da vida ser difícil e muitas vezes, nele acontecer game over, o recomeço ainda pode nos gerar grandes oportunidades.
E ainda, independente de qual seja o seu movimento, de recomeço de algo, de dar continuidade, de conquistar novos espaços desejo
uma feliz paternidade a todos nós.




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